Resenha: As Três Partes de Grace - Robin Benway

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Título: As Três Partes de Grace
Autora: Robin Benway
Classificação: 4.6 [Skoob]
Páginas: 322
Editora: Galera Record
Gênero: Drama Familiar
“ Quando Grace se deu conta do que tinha acontecido, já estava no quinto dia do segundo trimestre da gravidez. O bebê era do tamanho de um pêssego. Grace tinha pesquisado no Google.”

Aos 15 anos de idade Grace teve uma filha, e encara uma decisão difícil, entrega-la para adoção. E por ser adotada, Grace se vê diante de algumas questões: Qual família é merecedora de sua Pesseguinha? Ela está sendo uma boa mãe? Ela terá bons pais?
Ver sua filha sendo levada a fez encarar emoções conflitantes, assim como também a fez ter convicção de uma coisa: ela mesma quer conhecer sua mãe biológica; e a partir disso vai descobrir que tem dois irmãos.


Maya foi adotada por bons pais. Ruivos. Felizes e amorosos. Mas com o tempo sua mãe descobre que está grávida, e 13 meses depois, Maya e Lauren são inseparáveis.  A infância não foi fácil para ela, sendo a única de cabelos negros em uma família de ruivos, onde as crianças acabam sendo cruéis demais e mostram a garota como ser diferente afetava sua família. Além de se sentir desconexa com eles, Maya encara as brigas de seus pais e os segredos de sua mãe.
“ No início, não importava muito que Maya fosse adotada e Lauren não. Eram irmãs, e isso era tudo que importava. Mas, então, as outras crianças se encarregam de explicar tudo para ela. 

Crianças podem ser bem babacas.” 
Joaquin passou sua vida tentando se adaptar a outra família. Tendo que passar por diversos acolhedores, ele acabou batendo de frente com questões consigo mesmo. Agora com pais que realmente o querem, ele vai acabar revivendo uma parte sombria de sua infância, e tenta a todo custo evitar que aconteça com eles o que houve no passado. E com isso, ele cria uma barreira e tenta protegê-los. 
“ Joaquin já tinha percebido havia muito tempo que, se não esperasse que as pessoas estivessem lá, não ficaria decepcionado quando não aparecessem.” 

No livro temos três pontos de vista diferentes que se desenrolam até se cruzarem. Grace está decidia a encontrar sua mãe e quando descobre que tem dois irmãos, sente que esse é o primeiro passo para encontra-la. Acompanhamos com ela, a tentativa de se adaptar a uma vida sem sua Pesseguinha, e ficamos comovidos em como busca por uma redenção. Mais que nunca vivenciamos com a personagem como é sentir falta de alguém que mais ama no mundo. O ponto principal nisso tudo foi como a autora trouxe de forma humana a delicadeza e essência de uma decisão que não foi para beneficiar Grace, mas sim sua filha. 

Maya definitivamente é a personagem que mais me fez chorar no livro, consegui sentir na pele o desconforto que ela sentiu por guardar em quatro paredes o segredo de sua mãe, e como isso a deixou se afogar. Por ser um pouco mais explosiva que seus irmãos, ela carrega uma revolta que consegui entender nos primeiros capítulos. 

Joaquin foi meu ponto fraco. Fiquei desolada por ver a trajetória de sua vida e em como essa é uma realidade em que muitas crianças passam. Em alguns momentos quis estapear sua cara por não conseguir aceitar o amor e carinho que Mark e Linda é capaz de dar a ele, mas compreendi que quando não se tem um porto seguro, como você é capaz de ancorar no desconhecido? 

A medida que Grace, Maya e Joaquin se conhecem, eles também criam um vínculo, de fragilidade, medo, revoltas, felicidade e, acima de tudo, amor. A autora nos mostra de forma frágil temas que eu acho importante e que está sendo mais visto no mundo literário, sem falar o espaço que dá para um relacionamento lésbico tão lindo e sem qualquer preconceito vindo dos pais adotivos e irmãos biológicos. Simplesmente amei tudo. 

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