Resenha: Interferências - Connie Willis

quinta-feira, 21 de junho de 2018


Título: Interferências
Autora: Connie Willis
Classificação: 3.9 [Skoob]
Páginas: 464
Editora: Suma
ênero: Ficção Científica; Comédia Romântica


Um procedimento neurocirúrgico entre casais está causando grande rebuliço, o que você faria se tivesse a oportunidade de conhecer melhor os sentimentos de seu parceiro, e poder receber o amor dele de outra forma? A maioria acha isso o melhor que pode acontecer entre um casal, as pessoas não receberão o Eu Te Amo apenas em palavras, a sensibilidade e empatia entre o casal vai elevar o modo em que eles se percebem, mas nem tudo é perfeito e o EED pode trazer grandes consequências tanto positivas quanto negativas, você nunca mais poderá esconder nada de seu parceiro. 

Então por que toda frase que começa com “Precisamos conversar” acaba mal? Durante toda a nossa história evolutiva tentamos impedir que algumas informações fossem divulgadas: camuflagem, aquela tinta que as lulas esguicham, senhas criptografadas, segredos corporativos, mentiras. Principalmente mentiras. Se as pessoas realmente quisessem se comunicar, diriam a verdade, mas não é o que fazem.

Briddey trabalha em uma empresa de telecomunicações e está em um relacionamento com Trent, eles são vistos por todos dentro da empresa como um casal perfeito, Trent acaba de pedir Briddey em casamento e planeja fazer um EED com ela. Na Commpson, empresa que ambos trabalham tem uma rede de fofoca que nada fica escondido por muito tempo, todos na empresa já sabem qual é o plano do casal, muitos acham maravilhoso quem faz esse processo e alguns outros a incentivam a não fazer. C.B. Schwartz é o gênio da inovação referente a tecnologias, ele trabalha no porão da empresa e evita contato com todos os outros funcionários, ele até é apelidado de Corcunda de Notre Dame, mas quando fica sabendo que Briddey irá fazer o EDD com Trent, sai do seu esconderijo e tenta a convencer de não passar por esse procedimento. 

Não posso me esquecer da família intrometida de Briddey, todos são contra seu relacionamento com Trent e quando ficam sabendo do EED tentam tirar isso da cabeça dela de todos as formas possíveis. Porém apesar de todos os conselhos e argumentos, Briddey segue em frente e faz a neurocirurgia. Todavia as coisas não acontecem como o planejado, ao invés de ela se conectar com seu noivo ela acaba se conectando com C.B. Schwartz, o nerd que sempre está com o cabelo bagunçado e recluso em seu laboratório. 


Durante a leitura de Interferências eu me diverti, acompanhar a Briddey e o C.B. foi muito envolvente, eu fiquei encantada com os diálogos deles e o jeito em que se relacionavam. Ele cuidou dela quando ela começou a escutar as vozes (Briddey depois de um tempo não escutava apenas o C.B. mas outras pessoas também e isso era muito incomodo pra ela). A família dela apesar de ser muito enxerida era bem unida e amorosa, uma de suas irmãs tentando arrumar um relacionamento usava todos os aplicativos possíveis, sua sobrinha que sofria demais com a mãe super protetora e sua avó que por passe de mágica sempre aparecia com algum conselho. Odiei Trent desde as primeiras páginas, e C.B. era tão lindo e fofo com nossa protagonista. Connie aos poucos foi explicando sua trama e sempre me deixou entretida com sua narrativa.

Esse é o segundo livro que leio da autora e tive experiências positivas com seus livros, porém como em O Livro do Juízo Final achei um pouco longo. Connie tem uma escrita encantadora, li as quase 500 páginas rapidamente, ela vai soltando aos poucos as informações de suas tramas e quando você chega ao final de suas obras consegue resolver todo o quebra cabeça que ela criou. 

Não sei se gostaria que alguém tivesse esse contato aos meus pensamentos, e você faria um EDD e deixaria alguém conhecer seus segredos mais profundos?
— Mas elas eram tão...
— Obscenas? Vingativas? Rancorosas? Calculistas? Receio que as pessoas sejam assim na privacidade de suas mentes. — Ele abriu um sorriso irônico. — Eu falei para você que é nojento lá dentro.
Ele parou em um sinal vermelho.
— A culpa não é só delas. As pessoas dizem em voz alta as coisas boas que pensam: “Uau, você está ótima!”, ou “Que lindo dia!” ou “Vamos ajudar o próximo!”, mas não “Vá para o inferno!”, ou “Nossa, que peitos lindos!”. O único lugar em que podem extravasar as coisas ruins é dentro de suas cabeças, o que faz com que seus pensamentos desagradáveis ganhem proporções exageradas. Mas, além disso, as pessoas são grossas, detestáveis, gananciosas, más, manipuladoras e cruéis.

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