Resenha: As Tumbas de Atuan [Ciclo Terramar #2] - Ursula K. Le Guin

segunda-feira, 2 de outubro de 2017


Título: As Tumbas de Atuan | Ciclo Terramar #2
Autora: Ursula K. Le Guin
Classificação: (Skoob)
Páginas: 148
Editora: Arqueiro
Gênero: Aventura, Fantasia

"Para mim, fantasia não é pensamento mágico, mas um modo de refletir, e refletir sobre a realidade." - A autora

Nesse segundo volume do Ciclo Terramar, Ursula K. Le Guin nos apresenta um novo conceito de heroína, que novamente foge dos padrões. Tenar é retirada de sua família ao completar cinco anos de idade, para se tornar a mais nova Sacerdotisa Renascida das Tumbas de Atuan. Local onde são realizados cultos aos Inominados - Poderes antigos e sagrados da Terra antes da Luz, os poderes da escuridão. Depois te passar por um ritual aos seis anos, Tenar tem sua alma devorada pelos Tenebrosos e passa a ser chamada como Ahra, A Devorada.

Ahra é uma garota que pouco sabe sobre a vida fora do Lugar Sagrado de Atuan. Cresceu aprendendo rituais, cânticos e todos os caminhos secretos das Tumbas, que inclui as passagens de um Labirinto, que guarda um grandioso tesouro, que nenhum homem jamais conseguiu roubar. Dentre os tesouros, se encontra o anel de Erreth-Akbe, um objeto perdido por muitos anos e de grande importância para os Magos. E é durante seu aprendizado pelos caminhos subterrâneos do Labirinto, que Ahra se depara com Ged (Gavião), o mago vindo das terras de Havnor, em busca de um dos tesouros da Tumba. Ele traz luz, em um local em que só habita trevas e escuridão, cometendo um ato de sacrilégio aos olhos de Ahra. É então, a partir desse cenário, que Ursula K. Le Guin desenvolve com clareza, as batalhas internas e externas da protagonista desse segundo volume ao lado do mago Ged.


Ao tomar Ged como prisioneiro, Ahra se vê assumindo grandes responsabilidades como Sacerdotisa. Ela nunca havia visto um estrangeiro, muito menos um mago, e sua curiosidade em relação à sua magia e simplicidade, lhe fazem questionar todos os ensinamentos e deveres que lhe foram passados e a abrir os olhos para o desconhecido.

"Quando escrevi o livro, precisei de mais imaginação do que tinha para criar um personagem feminino que pudesse aceitar um grande poder como seu direito legítimo. Na época, essa situação não me parecia plausível. Mas como eu estava escrevendo sobre pessoas a quem, na maioria das sociedades, não se concedeu grande poder - as mulheres -, pareceu perfeitamente aceitável colocar minha heroína numa situação que a levasse a questionar a natureza e o valor do próprio poder." - Ursula K. Le Guin.

Em As Tumbas de Atuan, a autora aborda nas entrelinhas como a tomada de decisões e a confiança é importante na jornada de uma figura feminina com grandes responsabilidades. Uma garota que mora em terras longes das cidades do Arquipélago e que nada lhe fora ensinada sobre como levar uma vida normal, vai se permitir pensar em como seria viver fora da escuridão, sem estar aprisionada ao dever de servir aos Inominados (Antigos Poderes). De modo singelo, a protagonista vai se permitir à fazer as próprias escolhas em busca da liberdade, até descobrir o próprio caminho.

Esse segundo livro do Ciclo Terramar, é uma narrativa bem curta e simples, sem muitas surpresas no desenvolvimento. No entanto, é uma fantasia com uma ambientação bem criada e descritiva que me agradou, não tanto quanto como o primeiro livro, mas que de certo modo deu sequência à ganchos deixados no desfecho de O Feiticeiro de Terramar e abertura pra uma nova história, que eu recomendo para aqueles que já leram e gostaram do livro do anterior. 


6 comentários :

  1. Confesso que não me interessei muito pelo primeiro livro, exatamente pelo ambiente em que a estória se passava, fiquei com certo receio de acabar não me envolvendo durante a leitura, ou até mesmo não curti muito o que nos e apresentado. No entanto gostei de saber que está continuação e rápida, mas da uma desfecho para as questões que ficaram em aberto no livro anterior, para quem gostou deveria dar uma chance a está leitura.

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  2. Esta série parece ser muito boa, gosto de histórias de aventuras e fantasia. Após ler a resenha deste livro acabei ficando bem curiosa para conferir esta história, adicionei este livro em minha lista de leituras.

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  3. ja ouvi falar dessa série e tenho curiosidade pra ler.
    Uma coisa que eu gostei foi da capa dos livros.
    Pela sua resenha gostei de saber que a protagonista não segue os clichês esperados para esse tipo de gênero.
    Espero consegui ler os livros em breve.

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  4. Fiquei sabendo dessa série pela resenha. Me pareceu uma boa, não são livros tão grandes assim, dá pra fazer a leitura rápida, e os personagens e mundo bem construídos são um atrativo e tanto. Curti bastante.

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  5. Olá!
    Acho que já deu pra perceber que não sou fã de fantasia né?
    Mesmo com os elogios, não me animo a ler, então prefiro não forçar, vou deixar para quem curte o gênero e esse tipo de livro.
    Bjs!

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  6. São histórias curtas então não sei se fico contente, já que não é o meu gênero favorito, ou se fico triste. Eu, particularmente, não acho que dê pra contar uma boa história em pouco mais de 140 págs.

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